Nove meses consecutivos de quebra confirmam perda de competitividade do turismo nos Açores
A Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada – Associação Empresarial das Ilhas de São Miguel e de Santa Maria (CCIPD) reitera a sua profunda preocupação com os dados hoje divulgados pelo Serviço Regional de Estatística dos Açores (SREA), relativos à atividade turística de junho de 2026, que confirmam o nono mês consecutivo de diminuição homóloga das dormidas na Região, consolidando uma tendência prolongada de perda de competitividade do destino Açores.
Em junho, os Açores registaram 506,4 mil dormidas, correspondendo a uma redução homóloga de 3,8%, enquanto o número de hóspedes diminuiu 1,8%. No conjunto do primeiro semestre de 2026, a Região acumula uma quebra de 4,6% nas dormidas e de 3,6% nos hóspedes, confirmando que a atividade turística continua a perder dinamismo.
Particularmente preocupante continua a ser o comportamento do mercado nacional, que registou uma redução de 9,2% nas dormidas em junho e de 10,0% no conjunto do semestre. Também os mercados externos voltaram a apresentar uma evolução negativa (-1,9%), tal como já tinha acontecido em abril, evidenciando que o enfraquecimento da procura turística já não se limita ao mercado interno.
Os dados continuam igualmente a demonstrar a especial fragilidade do Alojamento Local, que voltou a registar uma quebra de 8,9% em junho e acumula uma redução de 9,8% desde o início do ano. Também São Miguel, principal destino turístico dos Açores e responsável por cerca de dois terços das dormidas da Região, mantém uma evolução negativa, com uma diminuição de 5,0% nas dormidas da hotelaria e alojamento local.
Ainda sobre o Alojamento Local importa referir que os dados dos proveitos deste tipo de alojamento continuam a não ser publicados pelo SREA.
Acresce que esta evolução ocorre num contexto em que o turismo nacional continua a crescer. Segundo os dados oficiais, Portugal registou um aumento de 0,7% nas dormidas em junho e de 1,3% no primeiro semestre, o que demonstra que a quebra observada nos Açores não acompanha a tendência nacional e exige uma reflexão séria sobre os fatores que estão a comprometer a competitividade do destino.
Para a Direção da CCIPD, os resultados hoje divulgados confirmam os alertas que tem vindo a fazer ao longo dos últimos meses. A redução da oferta aérea, a diminuição da concorrência entre companhias, o aumento do custo das viagens e a insuficiência da promoção internacional do destino estão hoje refletidos nos indicadores oficiais da atividade turística.
Ao fim de nove meses consecutivos de quebra, deixa de ser possível classificar esta evolução como uma simples oscilação conjuntural. Os Açores enfrentam uma tendência persistente de perda de competitividade que exige uma resposta estratégica imediata.
A CCIPD considera indispensável recentrar a política turística regional na recuperação da procura, através do reforço da conectividade aérea, da captação de novas rotas e operadores, do aumento do investimento na promoção externa e da adoção de medidas que reforcem a competitividade do destino Açores.
Adiar estas decisões apenas contribuirá para prolongar um ciclo de perda de procura, investimento e emprego, com impactos cada vez mais significativos para a economia regional.
Ponta Delgada, 31 de julho de 2026
A Direção