COMUNICADO CCIPD | Obrigado Ryanair
Domingo fazes o anunciado último voo para os Açores. Bem que alertamos que não era chantagem, mas para levar a sério. Durante mais de uma década, os Açores viveram um dos períodos mais transformadores da sua história recente. O turismo cresceu, a economia ganhou escala, milhares de famílias viram os seus rendimentos aumentar e o tecido empresarial encontrou novas oportunidades.
E muito desse caminho foi feito, sem dúvida nenhuma, com a Ryanair.
A presença da maior companhia aérea da Europa não trouxe apenas passageiros. Trouxe visibilidade internacional, competitividade de preços, acesso a novos mercados e, sobretudo, confiança. Confiança para investir. Confiança para crescer. Confiança para acreditar que os Açores podiam afirmar-se como um destino turístico de referência.
Foi com essa confiança que nasceu e se consolidou o Alojamento Local, permitindo a milhares de famílias gerar rendimento, reabilitar património e valorizar os nossos centros urbanos. Foi com essa confiança que a hotelaria cresceu, criando emprego qualificado, pagando impostos e elevando a qualidade da oferta. Foi com essa confiança que dezenas de setores — restauração, rent-a-car, animação turística, comércio, agricultura, pescas e serviços — beneficiaram de um efeito multiplicador que transformou a nossa economia.
Hoje, tudo isso está em causa.
A saída da Ryanair não é apenas a saída de uma companhia aérea. É a perda de um motor económico. É a perda de competitividade. É o risco real de regressarmos a um modelo de dependência de companhias de bandeira, com preços mais elevados, menor oferta e forte sazonalidade.
Os números são claros. A Ryanair transportava mais de 100 mil turistas por ano para os Açores (mesmo quando já não tinha base em Ponta Delgada), sendo responsável por quase 10% das dormidas turísticas e por um impacto económico total que pode ultrapassar os 160 milhões de euros anuais, conforme esta associação empresarial apurou e divulgou.
A sua saída poderá significar uma estagnação do PIB regional, anulando grande parte do crescimento económico esperado.
Não estamos a falar de teoria. Estamos a falar de empregos. De empresas. De famílias.
E o mais grave é que esta crise era totalmente evitável.
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O Governo Regional falhou naquilo que é essencial — acessibilidades e promoção. Falhou na antecipação. Falhou na estratégia. Falhou na gestão de um setor que representa cerca de 20% do PIB regional e que é hoje o maior motor da nossa economia.
Enquanto outras regiões, como a Madeira, planeiam, investem e negoceiam de forma profissional, garantindo crescimento sustentado e competitividade internacional (a mesma Ryanair que sai dos Açores entra na Madeira, onde já existe a Easy Jet), os Açores ficaram para trás — presos a decisões erradas, a falta de visão e a uma governação desarticulada.
Hoje, estamos a pagar esse elevado preço.
A ausência de um plano credível de substituição da companhia, a incapacidade de diversificar companhias aéreas e a falta de liderança política deixaram os Açores vulneráveis, dependentes e expostos.
Por isso, este comunicado tem dois objetivos claros. Primeiro, agradecer. Agradecer à Ryanair pelo papel determinante que teve na transformação económica dos Açores. Pelo emprego que ajudou a criar. Pelo investimento que gerou. Pela projeção internacional que nos deu. Segundo, alertar. Alertar que o que está em causa não é apenas o presente — é o futuro da nossa economia.
Os Açores não podem continuar a viver do acaso. Precisam de estratégia. Precisam de profissionalismo. Precisam de liderança.
E precisam, com urgência, de um Governo que ouça, que compreenda e que aja. Porque falhar no turismo é falhar na economia. E falhar na economia é falhar com os açorianos.
Esperamos voltar a contar com a Ryanair num futuro não muito distante…
27 de março de 2026
A Direção











