COMUNICADO CCIPD | Decréscimo do setor do turismo é uma realidade, agora mais evidente com resultados negativos em janeiro de 2026
Os dados divulgados pelo Serviço Regional de Estatística dos Açores (SREA) relativos a janeiro de 2026 confirmam um cenário preocupante para o setor do turismo na Região, evidenciando um decréscimo relevante de hóspedes e dormidas face ao período homólogo. Estes resultados reforçam sinais de agravamento da sazonalidade no inverno IATA 2025/26, num contexto em que outras regiões com características semelhantes, como a Madeira, apresentam trajetórias distintas.
Em janeiro de 2026, os Açores registaram em alojamentos turísticos (hotelaria, alojamento local e turismo no espaço rural) um decréscimo homólogo de -9,9% nas dormidas e uma estada média de 2,73 noites. No conjunto dos estabelecimentos, a hotelaria apresentou a menor quebra face a janeiro de 2025, -3,8%, enquanto o alojamento local registou -18,9%, e o turismo no espaço rural -20,5% das dormidas.
Considerando apenas a hotelaria e o alojamento local, São Miguel — que concentra cerca de 70,8% do total regional nestas duas tipologias — registou uma variação homóloga negativa de -11,2%, distribuída por -3,5% na hotelaria e -23,2% das dormidas no alojamento local.
Quando analisada a evolução do setor no inverno IATA e quando comparado o número de hóspedes na hotelaria tradicional e no alojamento local, no período do Inverno IATA 2025/26 até final de janeiro, verifica-se que este período regista 146.227 hóspedes, face a 154.088 no período homólogo de 2024/25. Esta diferença corresponde a uma redução de 7.861 hóspedes (-5,1%).
Em termos económicos, assumindo uma despesa média por turista atualizada de 1.036€, esta quebra traduz-se numa perda estimada de cerca de 8,1 milhões de euros de impacto direto. Aplicando o multiplicador económico do setor na RAA (1,35), o impacto total (direto, indireto e induzido) ascende a aproximadamente 11 milhões de euros.
Em termos de contributo para o PIB regional (VAB), a redução estimada situa-se em cerca de 6 milhões de euros, apenas nestes três meses.
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Perante este cenário, as preocupações da CCIPD tornam-se cada vez mais relevantes e importa centrar o debate nas medidas estruturais necessárias ao combate à sazonalidade, que continua a ser o principal desafio estratégico do turismo açoriano.
O inverno turístico não pode ser preparado de forma reativa. Deve começar a ser vendido antes do término do verão IATA, e a sua estruturação deve ser planeada com, pelo menos, um ano de antecedência, envolvendo todos os agentes da cadeia de valor.
O combate eficaz à sazonalidade exige uma abordagem baseada em dados e segmentação de mercados. É fundamental identificar e priorizar os mercados com ligações aéreas diretas durante o inverno, como é o caso do mercado Nacional, Estados Unidos da América e Canadá, bem como aqueles que, mesmo não dispondo de ligações diretas, demonstram potencial de crescimento sustentado nesta época do ano, como é o caso da Alemanha, França e alguns países da Europa de Leste.
Neste contexto, a promoção do destino deve evoluir para um modelo mais orientado para conversão e vendas efetivas. A CCIPD defende que uma parte significativa do investimento na promoção deve ser direcionado para:
- Campanhas digitais integradas e transversais a todas as ilhas;
- Promoção específica da época baixa (outubro a março);
- Envolvimento estruturado das companhias aéreas que operam no inverno IATA;
- Criação de plataforma agregadora que integre a generalidade da oferta regional (hotelaria, alojamento local, TER, rent-a-car e animação turística).
A CCIPD entende que os resultados agora divulgados devem constituir um ponto de inflexão na estratégia promocional do destino. O setor necessita de uma abordagem mais antecipada, segmentada e orientada por métricas de desempenho, assegurando maior resiliência nos meses de menor procura e sustentabilidade no crescimento global do turismo açoriano.
Direção
Ponta Delgada, 3 de março de 2026